Natureza

Qual redenção, qual vida.

Chorei a vida, quando perguntei a natureza se
Poderia ela redimir a história
Em nós que se
Impõe verticalmente em nossa memória.

Na morte nossa de cada dia, voltaremos ao solo indecifrável
Da Natureza? Se a natureza essa nos escapa em plenitude,
E a História essa irrompe em nós como uma irrefreável
Ruptura histórica, agora na quase imperceptível platitude

Do cinismo político globalizado.
Não, é preciso crer no amanhã.
Com sorte, a ruptura ocorre, e amanhã

Não haverá mais nós, quiçá memória,
Tísica norma moral criadora da absurdamente impermeável indiferença.
Com sorte, nada haverá: nem história, nem memória.

Diários de uma guerra normal

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Da brevidade: alegoria do solo

Das janelas emolduradas,
Amarguradas confissões da alma
Desdobram-se como portões das liberdades fracionadas,
Um sonho por dia morre no mar da calma.

Ornamentam a abertura
Mas não entendem mais a sutura,
De que é cozida a bravura
Cuja feição cravejou-lhes a feiura.

Da árvore plantada
Ninguém por ela velou.
A árvore caída por ninguém zelou.

Ostentar a liberdade
É o furto juvenil do fogo da vitalidade.
Mas nós cansados estamos todos, os sem idade.

André Luiz Ramalho da Silveira