Menos maniqueísmo e mais empatia

Texto excelente de meu amigo Vitor.

Escrevo aqui apenas algumas considerações já mencionadas em comentário a postagem original.

Nesse pequeno texto é levantado um problema extremamente importante, que pode ser visto de vários modos. Eu concordo plenamente com o que tu propõe, e inclusive do jeito que está posto quem não concorda já estaria sendo insensato. Contudo, eu discordo em alguns pontos.

Em primeiro lugar, eu penso que ele não é tão ingênuo assim como transparece no texto. Basta ver as declarações dele sobre ditadura – não apenas a brasileira, segundo a qual ele fala que por ele não ter sentido na pele, não pode opinar sobre -, e vemos que a coisa é um pouco menos nivelada. Outro ponto é que, salvo erro de generalização de minha parte, no futebol isso é praticamente um imperativo: máfia e aniquilação de pensamento. O exemplo usado nesse caso até pode ter sua força demonstrativa, mas penso que essa pessoa em questão apenas faz parte de um ‘grupo’ em que isso é lei.

Outro ponto em que discordo é sobre uma suposta falta de empatia. Eu não discordo que isso seja parte do problema, mas.. penso que esse conceito não serve pra explicar adequadamente a existência desse maniqueísmo na opinião mediana. Eu penso que, junto com a falta da empatia, há uma planificação na própria linguagem, o famoso impessoal imperando. No âmbito político, apelar fortemente pro conceito de empatia traz junto o conceito de consciência ou de sentimento. Não que não haja isso, mas o domínio público e político é formado principalmente por linguagem – mesmo que possamos considerar um âmbito ontológico anterior a isso, como o âmbito existencial da compreensão e do existir um com o outro (ser-com), e que apenas por isso há o domínio comum formado pelas opiniões. Me parece que se a abordagem for pela linha mais psicológica (mesmo em um sentido bem geral), não há como escapar do maniqueísmo.

Ficou um comentário longo, mas é que realmente foi levantado aí um problema fundamental, sobretudo diante dessa horda obscurantista que estamos vendo. Desta feita, apenas pra concluir queria dizer que concordo totalmente com a tua conclusão.

Litost

Talvez tudo o que eu vá dizer agora diga mais respeito à mim mesmo – que não sei o que sentir nem depois de ser assaltado e agredido – do que ao caso do qual vou falar. Mas, vamos “reflexionar” nesse lindo domingo de sol e melancolia.

Dunga, o técnico da seleção brasileira e ex-jogador, deu uma declaração muito infeliz e completamente racista dias atrás. Daquelas que permitem que se entreveja o quanto um sujeito pode simular um comportamento sem absolutamente o compreender. O racismo “cordial” que impregnou as palavras do ex-jogador mostra o quanto ele sabe que deve evitar certas palavras e ações e mostra também o quanto ele não tem nenhuma empatia ou compreensão da questão, embora saiba que será vaiado se cometer algum deslize.

Mas, o comportamento de Dunga é infelizmente a regra em nosso país. Essa falta de boa-vontade para tentativa de diálogo e compreensão do…

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