Palavra dita, palavra morta

Palavra dita, palavra morta
A palavra dita, parece dita, parece escrita, parece finta.
A palavra dita é dita, seja bem dita, mal seja dita.
Reverbera a coisa, como diz a escrita, como faz quando bem dita.
Quando mal dita, encobre a coisa, mal seja dita, bem seja dita.

Seja escrita, seja dita, a palavra da rima dá forma ao limo.
O mundo formado dá lugar à palavra, seja afiada, seja fragilizada.
Na espada que apruma ao cimo,
A palavra pensada só tem lugar se a existência já se devaneia empertigada.

Das ruas frágeis, ouviam-se rumores fracos sobre o manifestar de forças,
Ante o certo e indeterminado fim,
Como se a pequenos passos, numa elegância mediana, pra frente se andasse de costas.

Afogava-se o silêncio, olhava-se de frente pra trás, e de costas pra frente,
Andava-se pela palavra dita e não dita, numa tagarelagem faminta,
Até que se tornaram, desde sempre e para adiante, verbos mortos por linguagem indistinta.

André Luiz Ramalho da Silveira

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