O tempo depois do fim

O tempo, que nascemos já arremessados, é o tempo
Que, pela história, nos amassa com um rolo compressor.
Será que somos apenas isso, impotentes ao domínio opressor?
Se ser é o que somos, de nada nos adianta um rastejo em campo limpo.

Viver é esperar o dia longo em que não mais teremos de esperar.
Talvez não seja tão ruim, assim, deixar de lutar
Por algum pouco de ar tão lapidado a ódio,
Se beira à atemporalidade a mediocridade do cidadão médio.

Queria um pouco de chão que não fosse nem meu,
Para que pudesse sentir a estranheza boa,
De conquistar um vazio que se desfizesse junto com meu eu.

Uma vez eu vi o tempo, saindo da minha cabeça,
Indo pro mundo e fazendo ruína de peça a peça.
Quando acordei, arremessado no meu tempo, soube que é pra frente que o destino ressoa.

André Luiz Ramalho da Silveira

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