O hiato, o habitar, a estranheza

O hiato, o habitar, a estranheza

Minto como santo. Talvez num esforço quase heroico
Abdico da permanência do caráter para o hiato estoico.
Solidifico minha altiva ausência antes que metrifiquem
Meu espanto. Escondo meu canto antes que me plastifiquem.

Alva galhardia deste iluminado e probo povo,
Que em gargarejos dissipam a alteridade
Quase fraca e desolada frente aos abusos do novo.
Pessoas são quimeras que justificam a própria mediocridade.

Conquanto haja desencanto,
Pode haver o zelo pelo encanto,
E o desvelamento que transcende o espanto.

A sanidade imiscui-se na iludível normalidade,
Esvai-se na perdição hipócrita dos justiceiros,
E despede-se da ipseidade, deixando prostrado ao solo a solitude d’uma quase identidade.

André Luiz Ramalho da Silveira

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