Do quase ser ao não ser

Componho-me como coadjuvante no acontecer desse insólito existir.
No esvaecer de mais um acordar, desfaço o acordo com o ser.
Deixo pra lá a vida, sigo e fito a perdição em mais um persistir.
Não há como continuar, mas também não havia como nascer.

Qual individualidade buscaria alguém que não é sujeito nos acontecimentos?
A ausência e a solidão são correlatos fenomenológicos.
Mas o percurso será sempre o mesmo, para quem da vida desfruta os fragmentos.
Sou quase apenas memória, mas já não lembro como sou. Sedutores são os alaridos órficos.

Reconheço-me apenas quando encontro-me no movimento de fuga.
Absorvido e perdido nos testemunhos alheios,
Sigo sob o signo da presciência onírica que a todo particular subjuga.

E quando cinzas minhas partirem, que ao mar o sal as encontre.
Sinto-me inapto a viver na falta de amor desse terno inferno normalizador.
Mas você sabe, sempre soube… talvez ao fim no exterior me enclaustre.

André Luiz Ramalho da Silveira

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