Reconhecimento em revés

Quando os dias se quebram,
Quando não é mais possível compartilhar o fado,
Quando da vivacidade diletante da existência apenas ecoam
Os passos falsos da eternidade vazia de cada amor, ceifado.

Advém com a assombrosa agudeza espiritual a incapacidade
De qualquer crença… E para saber que se vive, é preciso sentir-se como vivo.
Quando o mais material é a fumaça entre os dedos, a fragilidade
É a única força de constatação que valida esse arquivo.

E querem reconhecimento, mas pelo que são.
Mas se vemos por perfis, como interpessoalmente haverá algo como
Reconhecimento para além do que permite a vontade de quem quer ser reconhecido?
Se o querer ser reconhecido é mais forte do que a satisfação de ser reconhecido,
Escuso-me a deleitar na limitada paz da solidão, e por qualquer desaprumo,
Degrado-me ao civismo do bom cristão.

E devemos superar tudo, vencer, sonhar, viver.
E transar com dinheiro e vomitar valores reproduzidos.
E vender a alma a um diabo que teria vergonha de nos conhecer.

Não é decadência, pois nunca houve tempo em que as pessoas não foram pessoas.
A miséria humana não é uma doença no tempo, um prego histórico.
É isto, a existência. Uma desconexão de miseráveis numa sobrevaloração de um ego nada metafórico.

André Luiz Ramalho da Silveira

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