Manifesto contra a ditadura da felicidade III

Irás desvencilhar-te de toda imundícia
Que do embuste nutre todo o bem estar.
Não se trata de felicidade, essa indomável sordícia,
Mas sim da injustificável manutenção do próprio ensimesmar.

Testo minha alma, estabeleço as condições,
Degusto o fracasso, queimo meu espírito no logro das tradições.
Perdi a vida, pedaço a pedaço, desculpa a desculpa.
Alimento o corpo com os motivos da alma, já fraca, sem polpa.

Algum prazer haverá no destinado sono.
Eternidade é a mácula impregnada no egoísmo
Imbricado em cada esforço por uma salvação justificada no auto-engano.

E tudo o que desejas é gostar daquilo que tem e pode ter.
Concebe-te como livre para escolher a carência,
Mas é pela carência que foge tua liberdade. O mundo brada tua aurora autêntica, pífia existência.

André Luiz Ramalho da Silveira

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