Primavera lunar

Lembro-me de lições e adequações,
Dessas lições que só o verão pode ensinar ao inverno,
E que só depois da dura solidão do conjunto das estações,
Pode-se saber da liberdade como o manter-se na incompletude de qualquer destino.

Eu preciso de mais, mas nada do que tenho importa.
Despidos de crenças, somos todos iguais, perante a morte.
Então, todo afirmar-se é sobrepor-se à força da alteridade inerte.
A individualidade compartilhada é uma hierarquia de hipocrisias sem volta.

A poesia nos ensina ir ao mar, não a amar.
Depois de ir ao mar, não há como tirar o sal do próprio ar.
Inapto ao ar, ao mar, ao amar.

O mundo torna-se adulto, planos fracionados e redirecionados sob a luz do sol.
Mas ao menos a lua ainda segue seu ciclo, nos permitindo,
Ser um espelho de sua sombra, de sua sobra, de seu amor não correspondido ao sol.

André Luiz Ramalho da Silveira

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