Pintura de alguém

Você pinta as sombras
Com as vagas sobras
De todas as suas fracassadas obras
Pois não há como sumir apenas fechando as pálpebras.

O vento bate, mas não parece haver algo
Para apará-lo.
Não existe mundo, não mais, só um reles estrago.
Subsiste apenas a memória, com o dever de escravizá-lo.

Não existe sobra sem sombra.
Mas sobra a sombra dessa relação, como refém
D’um sonho em que se discerne algum ninguém dessa penumbra.

Suas sombras pintadas florescem como ideias
E as paredes como prisões que acalentam a miséria dos que não dormem
Como os que existem em pares que seguem o jogo das facetas marcadas e estragadas.

André Luiz Ramalho da Silveira

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