O pós-silábico

A poesia esvai-se no delongar dessa perdição incólume.
E o desencanto… essa forma medonha de perceber o mundo,
Como uma ilusão que se trai, mediante esse lume
De verdade… deixa-nos entregues a nós mesmos, num vazio quase imundo.

A apatia é só uma maneira de dizer que não queremos mudar.
No caos, o mais honroso é permanecer com o mesmo ar,
Não infectado pelas inspirações hipócritas de cada expresso assoviar.
Mas, essa abnegação é tão hipócrita quanto o mais torpe espinotear.

Apenas gostaria de fugir sem pensar que fosse fuga.
Quando os que ficam, ficariam de qualquer forma.
A excentricidade é só um espetáculo pertinente à norma.

Ser entregue ao próprio destino, quando se é nada,
É assumir-se como possibilidade, na corda bamba do desatino,
Donde a ficção torna o público e a morte existencial uma aventura pós-silábica, que nos permite aguentar essa realidade já designada.

André Luiz Ramalho da Silveira

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