Respire

Com a lanterna, à procura das pegadas que nos trouxeram até onde estamos…
No retrospecto dos passos com a esperança de um reconhecimento fugaz.
Sem a lembrança da face dos amores, resta-nos apenas aquilo que pressentimos…
Com a memória engasgada do próprio destino inatingivelmente sagaz.

Mas não há ponto de origem pelo qual pudéssemos apreender o que nos determina…
Tampouco um ponto de chegada, cujo confisco nos tornaria donos da estrada.
Existimos como um meio termo nunca apreensível por completo, uma fragilidade que mina
Toda substância que seja além de alguma possível socialização cristalizada.

E articulamos nosso cotidiano de modo a abafar qualquer pergunta
Sobre o que nos motiva a continuar… não há resposta.
Há existência, simples e vazia. Há esquecimento, desde que mundo é mundo.

Irmão, fazemos o que temos de fazer. Sem ficção não há como suportar.
Autômatos não ouvem, não pensam com a memória, não se importam com o próprio ar.
Mas, isso sempre foi assim. Está tudo certo. Uma hora, há de o ar faltar.

André Luiz Ramalho da Silveira

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