Nada além, ou quase

De olhos cerrados, a violência frui do solipsismo da nova era de liberdade.
Morte ao lado, vida a cima, um sonho de salvação já sem Deus.
Mais do que escolhas, na ação subjaz a vinculação fugaz, que nos dá identidade.
E o alheamento já bane o instituído deus.

No final, nada nos sobra… a sombra de uma pretensa pureza se dissipa
A cada novo amargo despertar… e os olhos continuam cerrados, oprimidos pelo ar,
A pobreza e vontade de aprisionamento cristalizaram-se já na autonomia da culpa,
Já não me importo mais… continuarei chamando meus muros de lar.

Não há como sustentar-se na liberdade.
Na nostalgia recrio os paralogismos da insanidade.
E para quem goza de felicidade, digo que também eles sofrem do mal da mortalidade.

Apenas problemas têm soluções, essa condição nossa é para além disso.
Se for possível viver livremente como uma concepção, que se viva.
Se já não mudei, é porque não mudarei. A permanência no tempo é só mais uma forma de esquiva.

André Luiz Ramalho da Silveira

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