Para cada colapso, um mesmo tango

Certos tormentos são como vultos imortais, que sempre nos transpassam,
Mas amiúde nos esquivamos pelo esquecimento que antecipa os temporais.
Essas faces esquivas que nos torna aéreos, essas paixões que movem os ventos,
Esse sentimento do fim que a cada começo surge abarca-nos como espirais.

O coração… o tango… palpita… como o púlpito que antecede a ação.
O que antecede… o absurdo como a condição humana, nada além, nada aquém.
E sobressai-se essa covardia, cujo instante seguinte é a amargura fixada num estado de inação.
Não há ponte entre o espírito e o mundo que afaga o absurdo da falta do sincero amém.

E essa descrição já se esvai perante a força da desconstrução de qualquer…
Não sair do campo do possível é a expressão máxima da consciência: apatia.
E o movimento. E as vidas. E o resto. Para nós, jaz como equivalência qualquer.

Se não fosse o estado de culpa pela condição da cisão, poderíamos ter a felicidade dos autômatos.
Aos homens de ação, para permanecerem na tragédia devem estar na comédia, e vice-versa.
E isso basta, para aqueles que fogem do vazio que é ser um si mesmo desvinculado de determinações e que apenas do mundo se dispersa.

 

André Luiz Ramalho da Silveira

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