Barítono e bajesto

Calei-me, envolvido no fluxo temporão de uma paranóia redentora.
Calei-me pela amplitude da possibilidade, que sou e que fui.
Calei-me por saber o que serei, calei-me como quem segrega um segredo que rui.
Gritei apenas para mim, num silêncio que me expira a aurora.

E a burrice forma um círculo inescrupuloso com a má vontade,
Perfazendo o aprisionamento da alteridade na realidade, mascarando com rimas
Os espinhos que hoje são julgados como o mal que veda a liberdade.
E toda consideração a outrem é apenas veste de sujas lágrimas.

A noite já não faz aquela conformação de um velho coração com a percepção
Daquele mundo paranóico… apenas protege quem pode iluminar de feiúra as sombras
De si mesmos. Existo como uma erupção, na febre de uma cisão.

E o difícil é aceitar o fato de se ter um rumo, e fazer parte do próprio julgamento.
Existir como um improviso de si próprio já não me cala mais… mas, apenas não falo.
O que antes era medo, agora é um silencioso despeito pelo vazio de qualquer advento.

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