Mais uma resignação

Como a água que posso ser, vejo-me pelo reflexo da possibilidade que fui.
E agora essa sua luz a quase apagar, por apegar a mim como um foco
A assombrar. Ilumine uma ausência e você terá a determinação de tudo que rui.
Como ser agora? O que há além da possibilidade que nos projeta como resíduo oco?

E agora me desintegro em sua frente. Venha comigo e se transforme num vegetal!
Eu irei até o poente, confraternizar com a métrica da neblina que nos oprime.
E nos determina como ocultos déspotas de nossa própria sanidade decimal.
E sempre estaremos aqui, como lugares perfeitos para tudo que nos redime.

E sempre seremos o que nos redime, como meros desertos de nossa própria superfície.
E sempre morreremos juntos, pela mesma lei que levou Abraão a ser o maior patriarca.
E sempre decairemos, pela mesma lei que levou Caim a ser o rei dos excomungados da superfície.

E como somos o contexto do que é manifesto, o subsolo resguarda ainda a salvação
Dos que são carentes de alteridade. Mas quem é estrangeiro não se determina como não,
Mas como um quase, sempre à espreita na escolha de cada resignação.

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1 comentário

  1. Depois de quase meio ano em silêncio, eis que ressurge o profeta do subsolo com alguns de seus melhores versos até hoje escritos. E vem na companhia de Abraão e Caim, que por diferentes razões não hesitavam em matar familiares.

    Bem vindo de volta ao subsolo.

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