Sem título

Se a minha realidade convergisse com a possibilidade que é a existência,
Eu não já não teria nem mesmo o discernimento pra me incluir,
No espaço da vida que me escapa a cada momento; mas ela me escapa em cadência,
Vejo-a indo aos poucos, sou apenas um eco da sangria que se põe num eterno restituir.

Se meus versos chegassem aos seus ouvidos, se essas letras me tirassem a inércia,
Se caso você pudesse aceitar as proposições de meus preconceitos, se, além disso, esse
Não fosse só mais um fim, como qualquer outro começo, se, além disso, esse
Começo não me representasse à neutralidade de qualquer incumbência…

Se meus gritos fossem ouvidos ao menos por mim,
Se ao menos eu não fosse clandestino, na existência que me tem como estrangeiro,
Se alguma mudança pudesse me tomar de modo a que eu fosse levado minimamente por mim…

Eu teria uma vida além da memória; minha memória projetiva; implosiva.
Onde um coração queima num futuro, amargura-se num passado, neutraliza-se num presente.
Já perdi o controle, agora posso ser apenas uma possibilidade evasiva.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s