O resíduo de Rembrandt – II

Naquele ensimesmar-se que despe o poeta da própria poesia,
Configurando-se o resíduo de um si mesmo no sentimento de apostasia,
Não mais disseminado por pronomes e substantivos de qualquer alérgica alegoria,
Resta apenas o mudo sentimento de mundo, que acolhe o estrangeiro em sua afasia.

Quando se é estrangeiro a si mesmo, na cisão de um projeto abissal,
O outro aparece como a salvação nunca alcançável em meio a esse torpe nevoeiro.
Mas a fuga é somente a região espaço temporal em que é realizada a busca para o irreal,
Quando se alcança a fuga em sentido pleno, já se está novamente à mercê de algum coveiro.

A identidade sofre o mesmo processo da fuga de si mesmo, pois nada mais é do que isso.
E o reconhecimento é a elevação de si até a imagem fugaz de alguma idéia de realidade,
Não posso esperar ser reconhecido para além do processo limitado da fuga de identidade.

Desisto de tudo só para poder escolher-me uma vez mais; meu apreço ao outro
Resulta como o mais profundo egoísmo; nessa alteridade do espelho quebrado
Meu reflexo mostra-se como isso e apenas isso; uma inaptidão a qualquer brado.

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