Desabafo à Rembrandt – I

Quem sabe eu pare, extático perante esse meu reflexo estúpido.
Ainda com uma relutante estupidez em continuar,
A tentar justificar-me como qualquer algo nobre e ríspido,
Se ainda tremo em qualquer golfar, ao desdobrar-me em meio ao ar.

Calo-me, mas logo desisto… fastio modo de vida em que a recusa é expressão de amor.
Engano-me, mas logo desisto… é apenas uma aversão dessas que logo voltam.
Entedio-me, só me assisto… escondo-me de mim mesmo em qualquer alteridade distorcida, como quem resigna-se em estupor.
Amo-me, talvez um ressentir… embrulho-me em um orgulho como àqueles que de uma guerra voltam.

Se ainda continuo a voar, é por não permitir que alguém me veja cair.
Se ainda continuo a sorrir, talvez seja por não esperar nada além do chorar de outrem.
Se ainda continuo simplesmente a continuar, talvez seja por não trocar para um desistir por desistir.

Uma alteridade que é parte de um si próprio, tão partida quanto esquecida.
Os dias se aquecem com o sabor irrefutável das ocupações, mornas emoções…
E na aquiescência de uma nobre existência, um moderno torna-se um mísero suicida.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s