Sobre a reticência e a saudade

Porque ninguém irá consentir com sua falta de humanidade;
Seu alheamento que eleva a condição a status de refém.
Sinto saudade, sempre, mas como uma ontologia semeada na raridade do aquém.
Essa saudade não tem objeto, mas apenas o sentimento da não realizada possibilidade.

Mundo sem fatos e sem homens, saudade sem nome e sem escravos.
Nem mesmo saudosista, pois minha existência ao futuro jaz.
Perco-me num epilepsismo transeunte, donde a nostalgia reside como pequenos favos.
Existo eternamente sob a constatação de um perturbado prospecto que a cada instante subjaz.

Ninguém irá consentir com sua falta humanidade;
Sua falta de coragem para encarar o mundo de homens e fatos;
Ninguém irá se importar com sua falta humildade;

E a única mudança possível na solidão reticente de um cubículo,
É a mudança para um lugar com paredes mais extensas, impessoalmente decorado.
E a saudade sempre será na tangente da indiferença metafísica como uma falta de solo.

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