No fundo do espelho e além da mancha

No fundo do espelho e além da mancha.

Na paz do mundo, na paz do fundo. No fundo do mundo, no fundo da paz.
No fundo do poço, reinando sobre si mesmo.
Reconhecendo-se no espelho plano como um lixo que em si mesmo jaz.
Respeito metafísico, culpa existencial, distância da vida, viver a esmo.

Construir a própria indiferença, confundir os signos da convenção.
Retalhamento da identidade, escrever o próprio epitáfio e sair por antecipação.
Aguardando o esquecimento do soberano, ser a miséria da própria emoção.
Olhando ao redor, vendo desdobrar-se como um projeto disseminado, em comoção.

Atrás da porta têm sombras, atrás das sombras as sobras.
Eu abro meus olhos e vejo as sobras.
Eu olho as sobras e é só um espelho desvelando-me como as sombras.

E finalmente rebate o sol atrás das cortinas de corpos e concreto,
Com todo o calor humano que todos prezam, em suas ignóbeis essencialidades,
E os reflexos quebram-se como cristais estéticos no fundo do poço, na beleza de um puro sorriso de concreto, concreto.

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