Oração da fortuna

Como se eu fosse acabar um dia, como se a morte atingisse a todos…
Como se a tolice não fosse uma escolha, como se o destino fosse uma prisão.
Não preciso morrer, não preciso sucumbir aos valores da mãe de todos.
Não preciso resistir, despir-me-ei jamais das musas a fim de tornar-me um campeão.

Não preciso dizer o óbvio para satisfazer o ego dos que só querem arquejar o que nem existe,
Lágrimas são o pesadelo dos que fazem do sorriso pastoso seu estandarte.
Que o terror não cesse nessas sombras, pois o jardim erguer-se-á sob o reino de morte.
Que a insanidade não abandone os puros de coração, e que esses sejam enterrados sob sua desprezível arte.

O limbo vem-me como condição; doravante, partir-me-ei…
Se o problema fosse segurança, teria a redenção divina dos pecados que não relatei.
Mas enquanto jaz em vilanias o meu externo, como um bom hipócrita calar-me-ei.

Ainda sei voar, ainda sei sentir, mas em obnubilações caem de joelhos, os mortos.
Se fosse por amar, se fosse por bondade, se fosse por justiça, ter-me-ia aprisionado em Deus.
Mas longe demais de qualquer predicado e enovelado demais em minha própria liberdade é que destruo o possível enquanto tal, o qual agracia-me com uma solidão maior do que a dos mortos.

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