Sonho I – O hospício de Sonhar

Foi apenas um delírio, uma anestesia fúnebre semelhante ao esquecimento,
Mas acordou a socos consigo próprio, no ardor do próprio derretimento.
A atmosfera caiu-lhe sobre o pulmão, na opacidade da ausência do tempo,
Re-apropriando os sentidos no asco da constatação do próprio chapo.

E pergunta o tempo ao destino: é você quem?
E responde o destino: sou aquele que você é quando posto em reflexão.
O tempo em reflexão se reflete no espelho quebrado da alma, cristalizada em um amém.
E a reflexão soa como uma tarefa sem o menor propósito à quem negado é o endereço de qualquer paixão.

De face com as sombras que perfazem os degraus, torno-me ébrio com o asco.
A ponto de não fazer a menor diferença à resposta do verbo,
Pois a resistência da própria realidade é a prova teológica do descaso do primeiro verbo.

A orientação vem com uma metafísica esmagadora,
Um silêncio que apenas mostra o circo.
Uma vida que apenas manifesta como a justiça distributiva pode ser retalhadora.

André Luiz Ramalho da Silveira

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