Um anjo caído

Um anjo caído

Silêncio gêmeo como o resíduo dos que tiveram as asas queimadas,
Gêmeo do grito de desespero que fora dissimulado em um sorriso normativo.
Ainda ouvem a voz que clama pelo derradeiro silêncio das alvoradas,
Esses que nem excêntricos conseguem ser, pois desprezam o vôo do coletivo.

O abismo figura-se como morada do ser, numa nostalgia sempre suspensa,
Atraindo para baixo àqueles que voam com asas espirituais;
Em uma imaginação que adorna o quase-viver, o limbo torna-se o que dele se pensa.
E voa-se com a leveza de um seixo, nesses estanques virtuais.

Ela quis explodir, seu corpo queimando como pétalas se congelando,
Mas ela queimou… as asas do seu amado, para se livrar da ficção,
Pois se acha na ímpar autenticidade dos que julgam espanando.

E o amor se derreteu com as asas do anjo, depois que este se congelou.
Agora a história é apenas o ideal do amor contada sob as vestes da tragédia,
Mas apenas história, apenas para acalentar esse que nunca amou.

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1 comentário

  1. Aceito o abismo, se nesse vôo-mergulho for possível aprender a ver no escuro. No mais, desde que queimei minhas asas, acho que “queimar asas” é uma boa ocupação, até que se encontre asas que não queimam, de um anjo verdadeiro.

    Desnecessário dizer que isso ainda não aconteceu.

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