Do sangue ecumênico

Àquela solidão de mil anos não era mensurável nem mesmo em um calendário,
Histórico de contravenções hereditárias, onde a decadência sempre fora celebrada num relicário,
Mesmo essa solidão não poderia ser entregue ao mero arcabouço literário…
Mas o que se via ali era a eterna solidão, residindo naquele ser como um pequeno vestuário.

E a necessidade geral, de motivos e crenças, jazia como outra dimensão,
Sentia que o próprio sangue não lhe era tão próprio,
Mas ainda sabia que, antes das palavras, estava o vazio que orientava a compreensão,
Numa diáspora que o tornava estrangeiro a si próprio, num asco ao opróbrio.

E quando ainda procuravam salvação, num abrigo de província científica,
Sentia que o quase no qual impelia-o, agraciava-lhe com uma espécie de armadura estóica,
Mas que nem mesmo a indiferença ecumênica o despia da liberdade,

Como o puro transcender para si mesmo, tornando-se uma alteridade sem qualquer qüididade,
Onde se compreendia apenas pelo esboço que deixava em resíduos de linguagem;
Mas no sorriso que ainda mantinha, havia algo que não lhe fora roubado pela libertinagem.

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