Paixão pelo ego – sobre Petror Calascos

Ele a acariciava como ela lhe fosse apenas uma extensão de seu corpo,
Como se sua fina e limpa pele lhe fosse apenas um espelho de sua alma,
E nesse espelho compreendia-se como uma totalidade existencial, onde seu escopo
Fora e quiçá sempre será a nulidade, cuja possibilidade é condicionada apenas por um si na lama.

Mas nada lhe poderia ser pior do que a abrupta e repentina ausência
De sua amada, na qual a metafísica lhe era só um abrigo…
E na sua fome e sede, junto com aquele medo também metafísico, deixava um resíduo de reticência.
Que fez-lhe a fuga dos céus, para que a ausência fosse real, não apenas tema de artigo.

Agora que a ausência dela lhe era real, não sofria com a totalidade aterradora…
Sempre sufocante, já que ainda podia ter uma inútil esperança um tanto ameaçadora…
Mas ainda sim algo a esperar, e não sofrer com o medo da própria finitude.

Medo da própria finitude… e ainda pensava naquela fina pele e naqueles negros cabelos,
Que tanto o admirava… mas já que amava mais o reflexo do seu ego naqueles cristais ouriçados,
Continuou passando a mão nos próprios cabelos, admirando-se da decadência passiva dos desavisados.

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