O gerúndio da contingência

Quão bela é essa contingência, que me dizes estar eu embrulhado como rouxinol em seu cantar.
Belo também é a forma como são criados os problemas, uns à necessidade, outros à contingência.
Mas quando se vive à maneira de gramatical pessoa primeira, é fácil julgar.
E quando a simples existência já fica para trás, em terceira pessoa resume-se uma negligência.

Estagnando qualquer estupidez, qualquer vileza, qualquer resquício de cordialidade.
Mas não há de querer a simples vida aquele que se mostra como um gerúndio abnegado.
E ainda anda onde nunca andou a rosa constipada da magnanimidade.
E sua arte é apenas o fel escorrido da fraqueza dos nervos de um conceito assexuado.

E quando, no esforço para acompanhar a própria cordialidade, vê-se no espelho,
Quebrado por não mais agüentar o próprio reflexo, num mundo deveras literatelho,
Apenas sente como refração uma perdida alteridade, num futuro regado a malho.

Talvez seja muito bom o belo, para que tantas escórias brindem parvoíces.
Mas não há de se esquecer que o reflexo não pode ser ético, como querem marusses em glacês.
Mas não há de se lembrar aquele que é apenas abstrato, desprezando as próprias veneradas tolices.

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1 comentário

  1. A existência esparramada pelas pessoas gramaticais e pelos tempos verbais. O desvio da reflexão pela linguagem é o caminho do ser (seja lá o que possa ser o ser). há!

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