Mais um…

…Enquanto isso.

Já vai mais um instante, mais uma novidade que sobrevive,
Na lateral de um entrave, na noite de uma costa em declive;
Sou mais aquele talvez que de solavanco como um solstício desponta,
E permaneço como sombra de auto sabotagem, cujo rastro a mim remonta.

Enquanto isso desisto do meu desespero, à orla de seu suplício.
No perdão que não peço a mim, sou o próprio enquanto vazio de uma solidão…
Como ilusão imputada à seu comício, cuja calamidade impele-me ao vício.
Sirvo-me de algoz à própria sorte, abandonado ao reflexo de uma retidão…

Sem um próprio motivo para entregar a morte à vida,
Sem um próprio motivo para entregar a vida à morte,
A cada instante constato na existência o esvaecer de uma alteridade doída.

Donde perco a disposição de perder-me nos detalhes erigidos de toda situação,
Donde se constrói o próprio amor, destruído à forja de esmolas por qualquer inação,
Donde se é banido do próprio acontecer, tornando-se espectador da própria consternação.

André Luiz Ramalho da Silveira

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