Par em sépia

Par em sépia

E quando olho na enferma profundidade de meus ímpares,
Superando com desdém o ímpeto da negação dos pares,
Vejo apenas minha sombra, deleitando-se no advento de mais uma lembrança;
Que assim ouso chamar de vida, derradeira, esculpida solitária lembrança.

Sorver o mais puro mel o com o fel da mais aguda reflexão.
Ater-me no esquecimento inquebrantável de toda cordialidade.
Incorporar o respeito vazio, cujo âmbito exclui de si mesmo a inflexão.
Respeito que se tem com todos, à que não nos é pertinente qualquer essencialidade.

Frágil comédia essa perseguição da atmosfera, donde a causalidade se reinventa.
E vendo apenas minha sombra eu sei que ao menos estou, calculando ímpares.
Querendo o cuidado egoísta de alguma frágil tormenta.

Ateando fragilidades como quem respira éter, apenas escondo-me em uma defesa lenta.
Numa marcha que nega o acompanhamento, alheando-me de ser como lares.
Como a lembrança que sou, de mim mesmo, numa sombra que se reinventa.

André Luiz Ramalho da Silveira

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s