Na esquina do desencanto

Na esquina do desencanto

Com todo aquele encanto a entorpecer multidões, à espreita de um sorriso saltimbanco,
Na beira de um desencanto cotidiano, donde a paz consternada permanece como hábito.
Com todo fervor medíocre, como quem resplandece-se em esquecimento,
Num jardim de esperanças homeopáticas, donde quebra-se o reflexo manco.

Irrompe no espelho trêmulo das sensações a culpa de ser o itinerante e ver de longe.
Ver de longe a viagem e tudo o que está, na cisão original do ser e do estar.
Com o poente soturno, na alameda insípida da vida, até o sono se vê de longe.
E o ver já se basta como prazer, na contemplação do existir sem lar.

Com toda a exclamação de quem intenta no eterno sobreviver, no esquecimento manco,
Almejando ser determinado pelas escolhas deliberadas, como quem joga se pondo em jogo,
Na veracidade de certa descrença, salto na individualidade minha, em caco.

Salto no seu mundo tentando esquecer o meu, querendo cuidar o seu.
Mas deveras subterfúgio fugaz é, pois o prefácio do começar a viver é manter o ego.
Manter a desconstrução do existir, na beleza de se encontrar onde no outro repousa o seu.

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