Arlequim da fortuna… Depois de um recesso…

Arlequim da fortuna

Invólucro do infortúnio, na ira de um brado visceral, adjunto a toda lama,
Num império que governo e que é só meu, meu império de força e solidão,
Na tristeza cotidiana de nunca estar alinhado ao caminho de quem clama,
De sempre estar na desfiguração existencial de meu si mesmo, no holismo de minha escravidão.

Sou como arlequim, jogado no que sou, numa veleidade de estar na vilosidade social.
Na vontade passageira de sentir-me comum, esquecendo do amargo diário…
Desejo inúmeras vezes atear-me com o fogo ressequido de minha fossa vital.
Sinto que nada precede e nem procede, nivelando-se toda a relevância do éden arbitrário…

Esquecido pela fortuna, lembro-me apenas da finitude sempre imanente.
E, que mais do que ter a morte como a mais intrínseca possibilidade, sei que…
A liberdade maior é poder-se entregar a doce dissociação do esquecimento eminente.

Com o gosto ainda de desprezo, beijo a idéia de sua nudez.
Na perturbação de não ter caminho, escolho a sua nudez. Quisera eu escolher não mais ser.
Mas isso não é nem tangenciável, pois ainda meu inferno é melhor do que o esquecimento de minha altivez.

André Luiz Ramalho da Silveira

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