Na sentença do muro – a culpa : I – Testemunho a mim mesmo

Testemunho a mim mesmo. Nessa vergonha que sinto pelo mundo, por sua debilidade.
Num recuo a mim, onde proclamo uma existência, situo-me numa pura instabilidade.
Num querer que se culpa, de tanta força e que parece exceder a mim mesmo, acho-me.
Não sei se me perdi, mas onde encontro-me vejo quase o não ter que escapa-me.

O não ter que me faz, já me situa no mundo, de forma particular.
Construídos por uma parede de vidro, onde a angústia é crime, preserva-se o anelar.
No querer escapar, vou direto onde não queria, culpando-me mais uma vez por estar.
Mas quando afirmo, só o que muda é minha disposição, nada mais… Só o ar.

Nessa disposição que nos faz ser, às vezes nega-se e só resta o tempo, também negado.
Negado de forma tal, que o próprio não ter mistura-se o com o que se é.
E meu dispor já não se dispõe tanto assim, num acesso enclausurado.

Nunca sou levado, mesmo quando sou atingido por uma paranóia.
Talvez seja maldição, mas o querer nos torna reféns do próprio instante.
E nesse reflexo deturpado, de um espelho quebrado, sou a própria sombra de uma paranóia.
André Luiz Ramalho da Silveira

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