A Tentação do não-ser III

A tentação do não-ser III

Talvez me fosse apropriado um deserto, frio, que num tolher de possibilidades, identificar-me-ia com a realidade.
Não por vertigem, mas, certamente, por tornar meu mundo avesso em uma simples realidade.
E me sufoco nesse sentir desmesurado, teorizando um lembrar tangenciando uma impossibilidade.
Não há cura para algo que não é doença, nem jogo quando se pensa em totalidade.

E na minha ansiedade por me ver no tempo, vejo o limite do possível na minha sorte estéril.
E no embaraço de se estar imerso no nada, se absorve o mesmo.
E, nessa absorção, o juízo se torna uma clara reação a um desespero possível.
E a sutileza de um juízo, denotada como virilidade teórica, implica em não se estar a esmo.

E essa vertigem que me tenta a nada julgar…ou a julgar o nada, me absorve à sua atmosfera.
Tenta-me assim ao mais profundo sentimento da vida, seu próprio oposto.
Essa oposição do ser ao não-ser, que em pura suposição de existência pensa-se em ausência do sofrimento pressuposto.

E me caio em agonia por saber que tenho que me suportar, suportar meu querer, me suportar como tirano.
Suportar minha vontade de solidão… nessa hostilidade fria a e sarcástica…
Nesse meu viver como se não vivesse, caminhando por uma lembrança que vez por outra emana-se como ficção.

André Luiz Ramalho da Silveira
…/05/08

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