A Tentação do não-ser I

Da memória

Eu me lembro… de paranóico ser um dia, como agora.
De nem mais saber como se colocar, ou mesmo porque desistir, como agora.
E o meu perder-se de mim é tão somente um afundar-se em mim, sempre.
E já não mais consigo me lembrar de como se desisti de desistir… sempre.

Lembro-me de como o lembrar determina nossas crenças, e de como a solidão é contemplada pelo lembrar.
E de como o lembrar se torna o chão do querer…agora nem me sinto.
Nem me mecho, mesmo que em movimento… como que preso no ar.
Como que livre, autônomo, vagando num sofrimento reconfortante, perdido no próprio recinto.

E meu mundo se  torna excasso, por ser quase de natureza morta… e nas paredes do egocentrismo,
Vêm-me a angústia, com a enganadora forma da esperança… a de ser Deus.
Para combater, por pura fraqueza, toda essa finitude, que lembro-me de a ter sentido em algum abismo.

E quando, para ver se ainda vejo, olho para algum lugar, vejo o que já sabia.
Lembro-me de ser assim… ainda sinto minha ausência, minha carência de mundo.
Ou de realidade; ainda olho para o que sabia ser com o olhar fatalista de quem só quer o mundo.

Anúncios

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s