Mirantes da Alma
Um velho louco, sem montanha, desce ao brotar das gramas, num perdoar
Que não reverbera como alívio inócuo, de prospectos retumbantes,
Mas sustenta-se, como ataraxia, como em um ‘de agora em diante’, garoar.
Nesse retumbar angustiado, ressoa-se um si mesmo cindido dos significantes.
Por vezes, a gratuidade dos eventos nos faz ser, da vida, apenas coadjuvantes.
E a permanência da sanidade, mostra-se, através do gris a insanidade,
Que é existir como possibilidade, um vácuo eterno, que se dissolve em instantes.
E a loucura do mirante não desce, com o velho. O silêncio cuida da verdade.
“Perdôo-vos, humanidade maldita… mas para vós sentistes a culpa do próprio ser.
Nego-vos, humanos medonhos, assim como se vos negam a si mesmos…
E, sobretudo, vós que sentis a superioridade, por vos submeter ao verbo, como a
Identificação disso com a verdade, vós, que em vossa ignóbil conduta julgais
A autenticidade pelo saber esclarecido, mas que no coração jaz Pandora devorando a alma por mesquinhez… vos digo-lhes, por vez última:…” e os mirantes resignam-se como rugas em espirais.
André Luiz Ramalho da Silveira