O cerrar das sombras – um novo dia
Não sou mais o mesmo; com o cerrar dos olhos já não me vem mais o encerrar do dia.
Não sei se não sou mais o mesmo, mas já não sinto mais a mudança
Através do aspecto substancial de algo que muda, mas apenas como um emudecido mudar que adia
A cada novo dia um novo cerrar de perspectiva; a noite é já sem pujança.
Já me estranha a permanência no tempo, mas sem aquelas dúvidas que levam o homem
À ação, apenas fujo para mim com uma angústia silenciosa e sem propósito.
Sem o ceticismo dos asseclas da liberdade, apenas o alheamento que envolve me vem.
Como algo a ser cuidado, como o mais próximo de mim que consigo, sem qualquer rito.
A ausência torna-nos livres, infelizes e sequazes da falta de solo que é a existência.
Já não participar de nada não me desola, meu orgulho vazio não cairá
Apenas pela decadência do existir, já não sinto a necessidade de expressar a proposição absoluta da imbecil coerência.
E não sei até quando, mas já a mudança não muda as pessoas.
Hipócritas são todos, menos o espelho da noite que reflete o dia torto dos sonhos.
Cerro meus olhos e caio em mais um abismo, ainda escondo-me entre pessoas.
Victor da Filosofia disse,
setembro 2, 2011 às 11:08 pm
Coerência originária, fundamento de toda coerência do logos. Entre nuvens que me ofendem e outras que não entendo, vejo nessas linhas acima um raro “amanhecer”. Ou quase isso.