Ébria contingência
Setembro 21, 2009 at 12:57 pm (Do amor - do resíduo, Escritos metafísicos - ou quase isso, Na alteridade do espelho-quebrado) (Amor, Decadência, Existência, Poesia, Solidão, Sonho)
Esvaindo-se por sombras estrangeiras, que são acariciadas por púlpitos melindrosos,
Torno-me ébrio com meu pungente asco, num tango que brinda o peso,
De uma existência tão vazia quanto o espírito efuso,
Da leveza dessa transcendência ao peso da indecência, escuso como cães medrosos.
Terno sono que inteiro some, advinha o que somo numa brincadeira de sonhar.
E à maneira dos histéricos, que senhores do som pensam ser,
Levo a termo meu silêncio, apenas para confirmar mais um desarmar.
Mas se caso apenas for um sonhar, sei que ainda posso novamente me estarrecer.
E então novamente estamos exauridos, de nós mesmos excluídos.
Mas eu preciso que continues a precisar da minha necessidade de lhe ter,
Minha decadência não teria sabor sem seu favo, garota… é o canto dos lírios excetuados.
E ainda penso quem poderia assassinar a alteridade de nossas ausências,
Nas ternas sobras impessoais que governam o fulcro dessas cadências.
Como vultos que tornamo-nos, a apropriação de si é só mais uma ausência de ter.