O lírio e a inquisição
E a rainha de meus passos, saboreando minhas sombras…
Escondida entre qualidades consumidas em discurso,
No silêncio dos ossos dessas ruínas, de obras em sobras.
Construindo um castelo de ar, excedendo-me em discurso na sobra de meu curso.
E quem ousará perder novamente? Quem ousará deixar-se assim, solenemente?
Se largar ao abismo… na cisma de ser um si próprio largado…
Quem ousará assumir-se como sendo esse separar-se? Tão… avidamente?
E a rainha de meus passos, consumindo minha altivez em pleno prado…
Mas essa tão conhecida tempestade, que apenas serve para aplacar o tédio,
Já não julga tão bem quanto nos velhos tempos da inquisição do velho império.
Pois a construção desse castelo só é mero subterfúgio para guardar aquele minério.
E a minha rainha já guarda um reino a parte, donde colossos de plástico jazem na guarda.
E hoje os temores são tais que nem mesmo Lear cantaria em clave um novo suicídio.
E nesse deserto até a dor é estrangeira, roubando no lírio um motivo pro suicídio.