Mais um…

Abril 7, 2009 at 2:27 am (Na alteridade do espelho-quebrado) (, , , , )

…Enquanto isso.

Já vai mais um instante, mais uma novidade que sobrevive,
Na lateral de um entrave, na noite de uma costa em declive;
Sou mais aquele talvez que de solavanco como um solstício desponta,
E permaneço como sombra de auto sabotagem, cujo rastro a mim remonta.

Enquanto isso desisto do meu desespero, à orla de seu suplício.
No perdão que não peço a mim, sou o próprio enquanto vazio de uma solidão…
Como ilusão imputada à seu comício, cuja calamidade impele-me ao vício.
Sirvo-me de algoz à própria sorte, abandonado ao reflexo de uma retidão…

Sem um próprio motivo para entregar a morte à vida,
Sem um próprio motivo para entregar a vida à morte,
A cada instante constato na existência o esvaecer de uma alteridade doída.

Donde perco a disposição de perder-me nos detalhes erigidos de toda situação,
Donde se constrói o próprio amor, destruído à forja de esmolas por qualquer inação,
Donde se é banido do próprio acontecer, tornando-se espectador da própria consternação.

André Luiz Ramalho da Silveira

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Pra lembrar que se existe.

Abril 4, 2009 at 8:31 pm (Na alteridade do espelho-quebrado)

O descarte especial ruma ao espelho e volta-se como negligência imperial;
Torno-me então especialista em mim, no mérito próprio do vazio.
Na amplitude do vazio com esmero, deleitando e adornando todo o sonho trivial.
Destarte na ontologia da derrota, à qualquer sorte extravio.

No primor do rir escondo em possibilidade a transparência.
Na especialidade de ser imbecil, jogo-me no vil intangível.
Acho um pouco de dignidade entre fumaças e resigno em minha existência.
E ainda em indiferença banal finjo desespero ao jogar-me em seu reflexo amável.

Ao meu estúpido tédio chamo-o de existência.
E ainda espero resposta de sua amável penitência,
No âmago de minha repugnância, incrustado na ânsia de minha resistência.

Quero a amplitude de meu esvaecer, fazendo-me vir a ser.
Desisto pela incontável vez de meu descarte, desprezando qualquer fazer;
Especialista em mim, de muito pouco serve-me essa ontologia do morrer.

André Luiz Ramalho da Silveira

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