A Tentação do não-ser I

Abril 8, 2008 at 10:13 pm (As tríades - do tango à in.existência) (, , , , )

Da memória

Eu me lembro… de paranóico ser um dia, como agora.
De nem mais saber como se colocar, ou mesmo porque desistir, como agora.
E o meu perder-se de mim é tão somente um afundar-se em mim, sempre.
E já não mais consigo me lembrar de como se desisti de desistir… sempre.

Lembro-me de como o lembrar determina nossas crenças, e de como a solidão é contemplada pelo lembrar.
E de como o lembrar se torna o chão do querer…agora nem me sinto.
Nem me mecho, mesmo que em movimento… como que preso no ar.
Como que livre, autônomo, vagando num sofrimento reconfortante, perdido no próprio recinto.

E meu mundo se  torna excasso, por ser quase de natureza morta… e nas paredes do egocentrismo,
Vêm-me a angústia, com a enganadora forma da esperança… a de ser Deus.
Para combater, por pura fraqueza, toda essa finitude, que lembro-me de a ter sentido em algum abismo.

E quando, para ver se ainda vejo, olho para algum lugar, vejo o que já sabia.
Lembro-me de ser assim… ainda sinto minha ausência, minha carência de mundo.
Ou de realidade; ainda olho para o que sabia ser com o olhar fatalista de quem só quer o mundo.

1 Comentário

  1. Sapacaxa disse,

    A finitude é tambem abismo pra nostalgia…
    Essa que serve de castigo por já se ter sido feliz!
    :)

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