A tentação do não-ser II
Do exílio
Fabricados no ócio de um espaço vazio e subordinados ao eterno subordinar-se de um pérfido discurso,
Entregam-se ao mundo e as imanências como forma de liberdade, na orientação de um egoísmo de sociedade.
E assim formam o mundo, esses hábeis criadores; com uma lasciva amoralidade e liberdade.
Ordenam sua perdição numa desenfreada perigrinação a um bom deus social, na febre de um falascioso discurso.
Febre que é tão minha, que me enlouquece por tanta impotência e por tanta animalidade responsiva,
Febre que me sustenta e me perscruta, numa regra autônoma de uma espiral que me absorve,
Que me cristaliza como algo, que me transforma em discurso na mais autêntica orda exploxiva,
E assim me integro numa diferença que não é minha, mas que se faz, por uma acuidade com o cuidado que me envolve.
E nesse envolver me torno exílio; quero o silêncio, quero um poder silenciar…
Um silenciar que nos toma como uma possibilidade de escapar de uma total ansiedade tediosa, desse lamentar;
Lamentar por existir, sem poder desistir, por não querer desistir; nesse fantasioso mundo que fere qualquer beleza.
Beleza que é determinada por um discurso vil, na frenesi do consumo, do consumo da beleza.
Na hiper valoração do desprezível, numa refinada insensatez e antinatureza…num discurso de uma decadência imperial,
Que exila qualquer responsabilidade, tornado póstuma a autenticidade… num ódio a moral.
André Luiz Ramalho da Silveira………….11.04.08
A Tentação do não-ser I
Da memória
Eu me lembro… de paranóico ser um dia, como agora.
De nem mais saber como se colocar, ou mesmo porque desistir, como agora.
E o meu perder-se de mim é tão somente um afundar-se em mim, sempre.
E já não mais consigo me lembrar de como se desisti de desistir… sempre.
Lembro-me de como o lembrar determina nossas crenças, e de como a solidão é contemplada pelo lembrar.
E de como o lembrar se torna o chão do querer…agora nem me sinto.
Nem me mecho, mesmo que em movimento… como que preso no ar.
Como que livre, autônomo, vagando num sofrimento reconfortante, perdido no próprio recinto.
E meu mundo se torna excasso, por ser quase de natureza morta… e nas paredes do egocentrismo,
Vêm-me a angústia, com a enganadora forma da esperança… a de ser Deus.
Para combater, por pura fraqueza, toda essa finitude, que lembro-me de a ter sentido em algum abismo.
E quando, para ver se ainda vejo, olho para algum lugar, vejo o que já sabia.
Lembro-me de ser assim… ainda sinto minha ausência, minha carência de mundo.
Ou de realidade; ainda olho para o que sabia ser com o olhar fatalista de quem só quer o mundo.