Na irrelevânvia da terceira ordem
Na irrelevânvia da terceira ordem
Minha libertação é sua escravidão… seu deserto é minha instalação.
Ser livre é ser tirano… nada mais. Me enoja sua grandeza de servidão.
E me enoja seu nojo, me enoja sua causa, me enoja sua multidão.
E quando finjo ser eu, quando por tédio sou você, esqueço-me em devassidão.
E minhas forças são absorvidas por mim mesmo… e depois esquecidas.
E o abismo é já um espiral… já se forma como fatalidade… é a responsabilidade.
De ser possibilidade… é tanto o que sinto, que mergulhado em tédio pesco memórias esquecidas…
E aborrecidas, pra não cair em ilusão… é ridículo o esforço tirânico que se faz pra se manter a identidade.
As vezes é preciso sentar-se a mesa e do bolo não comer… é como sobreviver, desistindo do estar.
O estar é uma fatalidade; o ser, uma possibilidade. Mas… sermos possibilidade, é uma fatalidade.
E o abismo a que me entrego é um rasgo temporal cotidiano, quese se frustra numa dialética de autenticidade.
E esse espiral dialético, que leva a inautenticidade, expira-se com a angústia tétrica e singular.
E ainda… e ainda essa pura arte de nada dizer dizendo algo, é apenas o fechamento vil e ordenado da sociedade.
E na consciência de uma ostra… de uma memória nauseante e egocênctrica… institui-se o tédio e a terceira pessoa da
fragilidade.
No torpor…de um vapor.
No torpor…de um vapor.
Vapor e vento que se esfriam quando se esquentam na sinestesia de um rebento.
E no silêncio de um compasso de um silêncio , onde nos tornamos deus,
É também onde mais humanos ficamos… no esvair de nossos corpos ao vazio de um acalento.
E onde chegamos é sempre de onde partimos… ser deus para se suicidar… tédio.
Ser deus para se suicidar… teu corpo para me embriagar… meu chão para me devorar
Até a angústia torna-se o que é para tirar-me do tédio…
Dialética desenfreada dos aconteceres… na consciência nadificadora, pronta para a todos devorar.
E no derreter simétrico das três partes cindidas, o vapor nauseante se mostra como a cor do tédio.
O vento livre… nos mostra o que é ser livre…e que até a liberdade é uma possibilidade,
E que, como tal, está submetida a jogos… e a pergunta sobre liberdade ou determinação,
É a mesma sobre deus… a crua responsabilidade de estarmos cônscios da fatalidade de sermos pura possibilidade.
E me enclausuro nas minhas projeções… e me defendo até de correções.
Mas é isto mesmo… não quero nem a ausência e nem a reluzente brancura.
Porque até o tédio complacente é já uma tentativa de abraçar emoções.
